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Fux defende banir bets e rebate críticas sobre audiência pública no STF

Ministro afirma que ludopatia é problema de saúde pública e que a audiência não foi majoritariamente favorável às apostas; governo e clubes divergem sobre a proibição

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta terça-feira (3) que as bets devem ser banidas e rebateu críticas de que a audiência pública convocada por ele para discutir a proibição das apostas ouviu uma maioria favorável à manutenção da atividade.

Conforme levantamento, das 34 entidades convocadas por Fux para se manifestar na audiência, ao menos 22 já tinham se posicionado publicamente contra a proibição das bets. Entre elas, estão clubes de futebol e associações do setor de apostas. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo convocando a sociedade civil a se manifestar contra as bets, com o objetivo de trazer mais equilíbrio ao debate.

Fux, porém, classificou as críticas à audiência como desinformadas. Segundo o ministro, o STF ouviu dezenas de entidades que apontaram os efeitos nocivos das bets em 2024, quando ações que questionavam a lei de regulamentação das apostas foram ajuizadas. O ministro afirmou que as manifestações inclusive o convenceram de que as bets representam um grave problema de saúde pública e que deveriam ser proibidas.

Nós ouvimos toda a sociedade e eu me convenci de que a ludopatia é um problema de saúde pública, é um problema econômico e que deveria ser banida do cenário dos esportes nacionais, disse.

Fux afirmou que já havia expressado essa posição durante o julgamento sobre a validade de uma lei de 1941 que proíbe a exploração de jogos de azar, como cassinos. A sessão referida por ele foi realizada em agosto deste ano. Na ocasião, o ministro defendeu que o Supremo não poderia deixar de fazer uma análise interdisciplinar dos impactos dos jogos de azar e das apostas esportivas on-line. Ele também classificou as bets como uma nova estratégia mercadológica deletéria.

Houve um pedido de vista nesse caso e eu não pude explicitar em meu voto a visão de que as bets devem ser banidas. Evidentemente que o meu ponto de vista depende da aceitação do colegiado, mas lá eu tive a oportunidade de destacar todos esses dados, disse.

Apesar de defender o banimento das apostas, Fux afirmou que, diante da medida provisória que proibiu a atividade, o STF deve considerar a segurança jurídica da iniciativa. O ministro sugeriu que a discussão, quando levada ao plenário, deve contemplar a modulação dos efeitos da decisão, com a definição de condições ou prazos para a aplicação da eventual proibição.

MP das Bets

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no final de setembro, a proibição de cassinos online, como o jogo do tigrinho, e as casas de apostas esportivas. Sites e aplicativos de apostas, bem como patrocínios e publicidades de bets, saíram do ar no dia 6 de outubro.

A medida provisória ainda deverá ser analisada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei em definitivo. Antes disso, diversas associações acionaram o STF para tentar derrubar a norma. A Associação Nacional de Jogos e Loterias, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas pediram à Corte a derrubada da MP.

Clubes de futebol também levantaram preocupação com o futuro de seus patrocínios e saúde financeira. O governo, por sua vez, argumenta que tem competência para reavaliar políticas públicas e extinguir modalidades lotéricas quando a experiência prática demonstra riscos à saúde financeira, à segurança pública e ao bem-estar das famílias.

Dos participantes do debate, entre os que defendem a proibição das bets estão, principalmente, órgãos do próprio governo, como os ministérios da Fazenda, da Saúde e do Esporte, além da Advocacia-Geral da União. Fora da administração federal, a Confederação Nacional do Comércio e a Confederação Nacional da Indústria também apoiam a medida. Já o grupo contrário à proibição reúne diversos clubes de futebol, como Flamengo, Corinthians e Cruzeiro, além da Confederação Brasileira de Futebol e de diversas associações e institutos ligados ao setor de apostas.

Fonte | CNN Brasil
Foto | Rosinei Coutinho/STF

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