Militar recebeu pena de dois anos em regime aberto pelo crime ocorrido em 2021; decisão foi convertida em prestação de serviços e pagamento de três salários mínimos
A Justiça do Rio Grande do Sul condenou, em primeiro grau, o bombeiro militar Anderson Ferreira Bandeira por importunação sexual contra uma passageira dentro de um ônibus. O crime ocorreu em agosto de 2021, durante uma viagem entre Dom Pedrito e Porto Alegre, com embarque em Bagé. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (24) pela 2ª Vara Criminal de Bagé. Cabe recurso.
Bandeira foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto. A pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de três salários mínimos a uma entidade a ser definida pela Justiça. Ele também deverá pagar R$ 7.540 à vítima por danos morais.
Segundo a denúncia, o bombeiro estava fardado e sentou ao lado da passageira durante a viagem. Inicialmente, teria colocado a mão sobre a perna dela. Depois, quando a mulher dormia, ela acordou ao perceber que ele tocava suas partes íntimas por cima da roupa.
Ainda conforme o processo, após perceber que havia sido descoberto, o militar pegou a mochila e deixou o local.
Durante o processo, Bandeira negou ter cometido o crime. Ele afirmou que estava dormindo durante a viagem e havia tomado medicamento para enjoo. A Justiça, no entanto, considerou as provas apresentadas e o relato da vítima suficientes para confirmar a acusação.
Na sentença, a magistrada destacou que a mulher manteve um relato considerado firme e coerente desde o registro da ocorrência até o depoimento em juízo. Registros da rodoviária e o bilhete de passagem também foram utilizados para confirmar que o acusado ocupava o assento ao lado da vítima.
A mulher relatou ter ficado abalada após o episódio e ter enfrentado dificuldades para dormir, medo de adormecer e necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Essas consequências foram consideradas na definição da indenização.
O advogado de Bandeira, Marcio Rosano, informou que irá recorrer da decisão.
O Corpo de Bombeiros Militar informou que abriu um Conselho de Disciplina contra o militar, procedimento que pode resultar em sua exclusão da corporação. Enquanto estiver preso, ele permanece afastado das funções.
Novo caso
Bandeira está preso preventivamente desde abril de 2026, após ser detido em flagrante por suspeita de envolvimento em outro caso de importunação sexual dentro de um ônibus.
Segundo o processo mais recente, uma passageira que viajava entre Porto Alegre e Dom Pedrito relatou ter acordado durante a viagem após perceber que estava sendo tocada. O bombeiro foi preso em flagrante e posteriormente teve a prisão convertida em preventiva.
O Ministério Público apontou semelhanças entre os dois episódios. Nos dois casos, o militar estaria usando uniforme de bombeiro, teria se aproximado de uma passageira durante uma viagem noturna e o contato teria ocorrido enquanto a vítima dormia.
O processo referente ao episódio de abril de 2026 ainda está em andamento. A Justiça considerou as circunstâncias semelhantes entre os casos na sentença referente ao crime de 2021, mas ressaltou que o episódio mais recente ainda não poderia ser considerado uma condenação anterior, já que não houve decisão definitiva.
Fonte | G1
Foto | Divulgação/BM e Reprodução