Formação prepara profissionais para identificar sinais de alerta e atuar no encaminhamento de casos suspeitos
Ao longo do ano, diferentes cores representam causas importantes no calendário da saúde, chamando a atenção da sociedade para temas que precisam ser discutidos. Em maio, o laranja ganha protagonismo ao simbolizar a luta contra o abuso e a exploração sexual de crianças, trazendo à tona a importância da atuação da saúde na identificação e no enfrentamento desses casos.
O técnico em enfermagem ocupa uma posição estratégica nessa rede de proteção e combate à violência. Por estar na linha de frente do atendimento, muitas vezes é o profissional quem tem o primeiro contato com a criança e sua família, podendo identificar sinais que vão além das queixas clínicas. O olhar atento, sensível e bem preparado pode ser decisivo para interromper ciclos de violência.
De acordo com a coordenadora e docente dos cursos da área da Saúde do Senac Santana do Livramento, Aurélia Ribas, a campanha reforça o papel essencial dos profissionais da área. “Os técnicos em Enfermagem podem contribuir e agir na prevenção de violências contra as crianças. São eles que reconhecem os sinais e sabem para quais serviços recorrer em casos desse tipo”, afirma.
Durante a formação, os alunos são preparados para reconhecer esses sinais de alerta, tanto físicos quanto comportamentais. Hematomas, fraturas mal cicatrizadas, hemorragias internas e dor sem explicação são sinais que precisam de uma atenção maior. Já no aspecto emocional, mudanças de comportamento, isolamento, agressividade ou sexualização exagerada também merecem atenção. “Às vezes, são sinais sutis que somente o olhar treinado consegue identificar. O mais despercebido é o psicológico, as ameaças para o não relato, o que a criança cala e vira trauma”, explica.
Por isso a formação técnica em enfermagem vai além dos procedimentos e protocolos. É fundamental que os alunos desenvolvam uma compreensão integral do cuidado, incluindo aspectos sociais, emocionais e legais. “O profissional técnico em enfermagem atua com públicos de todas as idades, mas o infantil merece uma atenção especial e necessita de proteção contra a violação de seus direitos”, diz Aurélia.
A docente também destaca que a capacitação inclui estudos de caso e reflexões importantes sobre as particularidades da infância. “Criança não é um adulto em miniatura. Ela tem suas particularidades. Não podemos comparar a violência contra uma criança com a violência contra um adulto. Por isso é preciso conhecê-la na sua totalidade, sua anatomia, políticas públicas, direitos e deveres e como agir preventivamente e nos casos de violência já existentes”, afirma.
Outro ponto central é a responsabilidade ética diante de suspeitas. O medo de errar ou de se envolver não pode ser um obstáculo. É preciso saber proteger, denunciar e fazer o encaminhamento correto. “Nesses casos, não se pode ser omisso. A notificação é de suma importância, mesmo que seja apenas uma suspeita. É por meio dela que evidenciamos dados e os números relacionados à violência”, finaliza Aurélia.
Mais do que identificar e encaminhar casos, o técnico em enfermagem também tem um papel relevante na prevenção, atuando em ações de educação em saúde e orientação às famílias. Assim, o Maio Laranja não é apenas um período de conscientização, mas um reforço da responsabilidade coletiva na proteção da infância. E, na área da saúde, o olhar atento e preparado dos profissionais pode fazer toda a diferença, transformando cuidado em proteção e silêncio em acolhimento.