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Rio Grande do Sul registra mais de 100 ataques de cães a ovelhas em menos de um mês

Casos se multiplicam em municípios como Sant’Ana do Livramento, e tutores já foram indiciados pela Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul já contabilizou 101 ataques de cães a rebanhos em menos de um mês, uma média de três ocorrências por dia. Desde a veiculação de uma reportagem da RBS TV sobre o tema, os registros aumentaram e 19 tutores de cães foram indiciados por diferentes crimes.

Em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, o produtor rural Fernando Marvel Ferreira relata ter perdido 15 ovelhas somente em 2025. Na mesma região, vizinhos já somam 88 animais mortos em apenas 45 dias. “Isso representa um desestímulo na própria produção. Muita gente pensa em parar de produzir porque acaba perdendo valores”, desabafa Ferreira.

Casos semelhantes foram registrados em outras regiões do estado. Em Tunas, no Norte, uma propriedade perdeu 28 ovelhas desde setembro de 2024. Em Porto Xavier, na fronteira com a Argentina, foram 26 animais mortos em pouco mais de um ano. Em Canguçu, um vídeo mostra uma ovelha agonizando após ataque, enquanto cordeiros tentam mamar no animal ferido.

O delegado Heleno dos Santos, diretor da Divisão de Combate aos Crimes Rurais e Abigeato (DICRAB), afirma que os inquéritos seguem aumentando e que as prefeituras serão oficialmente acionadas para reforçar o controle de animais. “Também é fundamental o trabalho de prevenção para evitar esses danos que já somam milhares de reais”, destacou.

Segundo a Polícia Civil, os tutores podem responder por até cinco crimes, incluindo introdução de animal em propriedade alheia.

Cães perdidos durante caçadas formam matilhas, diz associação

De acordo com a Associação Brasileira de Ovinocultores, muitos ataques têm origem em cães que se perdem durante caçadas. “Eles se extraviam, sobrevivem sozinhos, formam matilhas e passam a atacar rebanhos, independentemente do tamanho da propriedade”, afirma o presidente da entidade, Edmundo Gressler.

Para tentar conter os prejuízos, alguns produtores vêm adotando medidas próprias. Em Santana do Livramento, há quem tenha montado armadilhas no mato. Em Passo Fundo, o produtor Gilberto Simor instalou câmeras de vigilância e relata perdas de mais de 100 galinhas e patos. “Eles vêm de noite, arrombam os viveiros. A gente não consegue mais dormir”, relata.

A Rede de Proteção Ambiental e aos Animais, com sede em Teutônia, acompanha os casos e prepara uma cartilha com orientações. Entre as recomendações está o uso de cercas com pequenos choques elétricos, como forma de proteger os rebanhos durante a noite.

Fonte | G1

Foto | Reprodução

cadupireslima

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