Governo uruguaio questiona soberania brasileira sobre área do Rincão de Artigas após instalação do Parque Eólico Coxilha Negra, em Livramento
A construção do Parque Eólico Coxilha Negra, em Sant’Ana do Livramento (RS), reacendeu uma antiga disputa territorial entre Brasil e Uruguai. A área em questão, conhecida como Rincão de Artigas, possui cerca de 200 km² e é contestada pelo governo uruguaio há quase um século. A divergência teve novo episódio no início de junho, após o Uruguai emitir nota diplomática pedindo que o assunto volte à mesa de negociações.
A origem da disputa remonta ao século 19, quando Brasil e Uruguai assinaram um tratado de limites em 1851. A demarcação foi realizada com base nos cursos dos arroios Invernada e Moirões. No entanto, em 1933, técnicos uruguaios questionaram o posicionamento dos marcos fronteiriços, alegando erro de interpretação. Desde então, o Uruguai considera o território oficialmente contestado, embora o Brasil mantenha a posição de que a área pertence a Santana do Livramento.
O mais recente episódio da controvérsia surgiu com a construção da usina eólica iniciada em 2022 pela Eletrobras. Em nota divulgada em 11 de junho deste ano, o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai declarou que não reconhece a soberania brasileira sobre a região e pediu que os dois países retomem as conversações diplomáticas.
O Parque Eólico Coxilha Negra entrou em operação em julho de 2024. O empreendimento conta com 72 turbinas eólicas, capacidade para abastecer até 1,5 milhão de consumidores e representa um investimento de R$ 2,4 bilhões. Cada turbina possui 125 metros de altura e mais de 1.300 toneladas.
O Itamaraty ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova manifestação uruguaia. Apesar do impasse territorial, as relações diplomáticas entre os dois países seguem mantidas.
Além do Rincão de Artigas, Brasil e Uruguai também possuem divergências sobre a soberania da Ilha Brasileira, localizada na fronteira binacional.
Fonte | G1
Foto | Eletrobras