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Ataques de cães a rebanhos causam prejuízos e preocupam produtores no RS

Casos registrados em diversas regiões do estado relatam dizimação de animais e prejuízos de até R$ 500 mil; Polícia Civil investiga responsabilidade dos tutores dos cães

Uma série de ataques de cães a rebanhos de ovelhas tem gerado preocupação entre produtores rurais do Rio Grande do Sul. Em diferentes regiões do estado, criadores relatam prejuízos expressivos e, em alguns casos, o abandono da atividade. A Polícia Civil alerta que os donos dos animais podem responder criminalmente e enfrentar ações de indenização.

Em São Gabriel, o produtor Alex Silveira teve uma ovelha, quatro cordeiros e seis galinhas mortos no dia 23 de junho. Segundo ele, os ataques se tornaram recorrentes. “É uma cadela que deu cria em um mato, os filhotes já estão crescidos. De um vizinho, ela matou 16 ovelhas”, relatou nas redes sociais.

No município de Canguçu, na localidade de Rincão dos Marques, um ataque semelhante, em 19 de junho, resultou na morte de 15 ovinos, sete deles prenhes. O proprietário, Eduardo Storniolo, afirma ter tido prejuízo de R$ 7,5 mil.

“Conseguimos identificar o dono dos cães e vamos ingressar com ação de danos. Espero que haja responsabilização”, afirma o advogado.

Além de cães de propriedades próximas, produtores apontam que muitos dos ataques são cometidos por animais que se perderam ou foram abandonados durante caçadas e que, soltos, formam matilhas.

Em São Martinho da Serra, o produtor João Augusto Nascimento, presidente do Sindicato Rural local, afirma ter perdido cerca de R$ 500 mil em três anos com os ataques. “Produzo genética há 32 anos. Nunca tínhamos enfrentado isso”, lamenta.

Em Cambará do Sul, Roberto Trindade contabiliza mais de R$ 40 mil em prejuízo desde 2023. “No ano passado, foram mais de 40 ovelhas. Semana passada, outras duas”, conta.

Segundo a Associação de Ovinocultores do RS, muitos criadores têm abandonado a atividade por falta de controle da situação. Um produtor da Fronteira Oeste, que pediu anonimato, disse ter perdido 30 ovinos em uma semana.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Rurais (Decrab), orienta os produtores a registrarem boletins de ocorrência. Os donos dos cães podem responder por omissão de cautela, dano, invasão de propriedade e até maus-tratos.

O delegado Heleno dos Santos, diretor da divisão, afirma que o problema exige ações integradas. “Vai além da esfera policial. É uma questão jurídica, administrativa e de políticas públicas municipais”, disse.

A Secretaria da Agricultura do estado informou que os municípios são responsáveis por definir ações voltadas ao controle populacional de cães. Já a Famurs (Federação das Associações de Municípios do RS) afirmou, em nota, que acompanha o tema, mas que ainda não recebeu uma demanda formal coletiva. A federação se colocou à disposição para intermediar debates e buscar soluções conjuntas.

Fonte | G1

Foto | Arquivo Pessoal/reprodução

cadupireslima

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