Polícia Civil investiga a suspeita de envolvimento da mulher em mortes de familiares, incluindo sogro e vítimas de bolo envenenado
A suspeita de ter matado quatro pessoas da mesma família comprou arsênio pela internet, de acordo com a Polícia Civil. A imagem de uma nota fiscal obtida com exclusividade pela RBS TV mostra o nome de Deise Moura dos Anjos como destinatária e a identificação do produto como arsênio. O documento estava salvo no celular da suspeita, apreendido durante a investigação.
A polícia confirmou, durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira (10), que Deise comprou arsênio quatro vezes em um período de quatro meses. Uma das compras ocorreu antes da morte do sogro – que faleceu por envenenamento – e as outras três, antes da morte de três pessoas que consumiram o bolo envenenado, em dezembro. O veneno teria sido enviado pelos Correios.
A Polícia Civil afirma que há “fortes indícios” de que Deise tenha praticado outros envenenamentos e não descarta novas exumações. A RBS TV apurou que a suspeita envolve o pai de Deise. José Lori da Silveira Moura, de 67 anos, morreu em Canoas, em 2020, supostamente por cirrose. Devido ao comportamento “frio” da suspeita, a polícia busca esclarecer outros casos de mortes de pessoas próximas a ela.
“A gente não tem dúvida de que se trata de uma pessoa que praticava homicídios e tentativas de homicídios em série, e que durante muito tempo não foi descoberta, e durante muito tempo tentou apagar provas que pudessem levar à atribuição de culpa a ela”, afirmou a delegada regional do Litoral Norte do RS, Sabrina Deffente.
O arsênico, que é o composto trióxido de arsênio, tem a venda proibida no Brasil como raticida. O uso como agente quimioterápico é restrito.
Em nota, a defesa de Deise Moura dos Anjos, presa temporariamente, alega que as declarações divulgadas ainda não foram judicializadas no procedimento sobre o caso e que aguarda a integralidade dos documentos e provas para análise e manifestação.
Polícia diz que sogra era alvo
Segundo o delegado responsável pelo caso, Marcos Veloso, a sogra da suspeita, Zeli dos Anjos, era o principal alvo dos envenenamentos. A polícia já confirmou que Deise levou o leite em pó para a casa dos sogros. A polícia tenta entender como a farinha, usada para fazer o bolo de Natal, foi parar na dispensa de Zeli dos Anjos.
A morte do sogro
Após o caso do bolo ser revelado, a polícia passou a investigar se Deise Moura dos Anjos teria envolvimento também na morte de Paulo Luiz dos Anjos, que faleceu em setembro, supostamente por intoxicação alimentar. A polícia exumou o corpo e exames constataram que ele ingeriu arsênio antes de morrer. O sogro de Deise morreu de infecção intestinal após consumir bananas e leite em pó levados à casa dele pela nora.
Em uma mensagem enviada à sogra, Deise listou possíveis causas para a morte de Paulo:
— Não sei, acho que eu não faria nada, pois poderia ter sido várias coisas: intoxicação alimentar, negligência médica, a banana contaminada pela enchente, ou simplesmente a hora dele… Sei lá.
O relatório preliminar da extração de dados dos celulares apreendidos apontou ainda buscas feitas na internet por termos como “arsênio veneno”, “arsênico veneno” e “veneno que mata humano”. As informações constam na representação da Polícia Civil pela prisão temporária da suspeita.
Nota da defesa da suspeita
As declarações divulgadas na coletiva de imprensa ainda não foram judicializadas no procedimento sobre o caso, e a defesa aguarda a integralidade dos documentos e provas para análise e manifestação. A defesa já realizou requerimentos e esclarecimentos no inquérito judicial, referentes aos andamentos da investigação, e aguarda neste momento a decisão judicial.
Fonte | GZH

