Candidato derrotado criticou decisão do ministro Zanin que prorrogou a votação; Lula venceu o segundo turno com 51,74% dos votos válidos
Após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que prorrogou em duas horas o horário de encerramento da votação, e afirmou que vai pedir a anulação das eleições.
O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil, disse.
É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições, afirmou o candidato derrotado.
A fala contraria um pedido da própria campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE. Na tarde deste domingo, a campanha do senador pediu a extensão do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se no estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter, disse Flávio.
Logo após o resultado apontar Lula como vencedor, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que tem absoluta segurança de todo o processo eleitoral.
O processo eleitoral também foi reconhecido pela Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou na noite deste domingo que o Ministério Público cumpriu sua missão de fiscalizar o processo, combater irregularidades e atuar para que a vontade do eleitor fosse respeitada. A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política, afirmou o PGR, que também atua como procurador-geral eleitoral.
Lula vence e conquista quarto mandato
Em uma eleição acirrada e marcada por uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República e conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. A confirmação da vitória foi feita pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral às 21h08, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas. Naquele momento, Lula tinha 51,74% dos votos e Flávio, 48,26%.
Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular. O quarto triunfo de Lula ocorre mais de duas décadas depois de chegar ao poder pela primeira vez, em 2002. A virada histórica se deu após uma forte mobilização da campanha do petista nas ruas e nas redes sociais, superando a derrota no primeiro turno, quando ficou atrás de Flávio por 47% a 45% dos votos válidos.
No quarto mandato, Lula terá desafios como lidar com uma forte oposição no Congresso Nacional e equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante a campanha eleitoral e prometer reforçar programas sociais. Um dos fundadores do PT, Lula foi eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022. Sua trajetória também foi marcada por três derrotas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, 580 dias de prisão e o retorno à disputa eleitoral.
Fonte | G1
Foto | Reprodução/redes sociais