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Cliente comeu bolo com rato por três dias antes de perceber contaminação no RS

Polícia descarta ação proposital e afirma que o roedor foi assado junto com o alimento; Vigilância Sanitária encontrou fezes, urina e produtos vencidos no local

O cliente que comeu parte de um bolo no qual teria sido encontrado um rato morto consumiu o produto por cerca de três dias até perceber a contaminação, segundo a polícia. O homem, no entanto, não apresentou sintomas após ingerir o alimento, conforme a investigação.

Apesar disso, o consumidor procurou atendimento com um infectologista, recebeu medicamento de profilaxia e deverá permanecer atento ao surgimento de sintomas durante 30 dias, de acordo com a delegada Milena Cimiolli, da Delegacia do Consumidor, responsável pelo caso. A vítima está bem, ela não tem nenhum sintoma. Depois que ela ingeriu o alimento, ela não sentiu nada, mas buscou um infectologista e teve que tomar medicamento para profilaxia, afirma Cimiolli.

O caso aconteceu na Casa de Bolos, unidade Cavalhada, na Zona Sul da Capital. A proprietária do local foi presa em flagrante na quarta-feira (14), mas solta após audiência de custódia na quinta (15). Ela foi identificada como Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos.

Em nota, a defesa afirma que os fatos relacionados à ocorrência estão sendo tratados com a máxima seriedade. Leia a íntegra ao final da matéria.

Assado junto com o alimento

De acordo com a investigação, o rato foi assado junto com o alimento. A Polícia Civil descarta que a ação tenha sido proposital. Todo o corpo do roedor está com pedaços do bolo grudados e não é nem possível ver a parte interna dele mesmo, detalha a delegada Milena Cimiolli.

A polícia acredita que o rato já estava no forno e caiu na massa ao tentar sair, sendo assado junto com o alimento. Além disso, a investigação aponta que é quase impossível a possibilidade de o rato ter entrado no bolo depois que o produto deixou o estabelecimento.

Fiscalização encontrou fezes e urina de rato

O caso chegou à Delegacia do Consumidor por meio de um registro de ocorrência. Conforme a delegada Cimiolli, a vítima procurou a polícia cerca de três dias após ingerir o produto. A polícia entrou em contato com a Vigilância Sanitária para fiscalizar o estabelecimento onde o alimento havia sido adquirido.

De acordo com a delegada, a fiscalização encontrou condições de higiene consideradas muito precárias, incluindo fezes de roedores sobre potes com alimentos e nas proximidades do local de produção dos bolos. Também verificamos urina de rato, produtos com data de validade expirada e também as condições do lugar em si, as grades todas enferrujadas, produtos com fungos, então foi bem chocante, relata.

A Vigilância Sanitária também fiscalizou outra unidade da mesma rede, no Centro, devido a outras denúncias relacionadas ao estabelecimento. Segundo a delegada, foram encontradas condições semelhantes.

Proprietária foi solta após audiência de custódia

A proprietária foi presa em flagrante por crime contra as relações de consumo, por vender produto impróprio para consumo. Segundo Milena Cimiolli, uma das condições estabelecidas pelo Judiciário para a liberdade provisória é a adequação às exigências de higiene sanitária. Depois disso, a Vigilância Sanitária deverá fazer uma nova vistoria para verificar se o estabelecimento pode voltar a funcionar.

O que diz a defesa da proprietária

Em nota, os advogados da proprietária informaram que ela já se encontra em liberdade e que os fatos estão sendo tratados com a máxima seriedade. O estabelecimento mantém, há mais de 11 anos, os serviços da mesma empresa especializada em dedetização e controle de pragas, sem intercorrências anteriores, segundo a defesa. Os comprovantes e registros dos serviços estão disponíveis, e a loja conta com responsáveis pela gestão operacional, limpeza e manutenção das condições de higiene.

A defesa afirma ainda que está sendo realizada uma auditoria interna rigorosa para examinar todas as circunstâncias do ocorrido, os procedimentos adotados e os controles existentes. Entre os pontos a serem apurados, está a eventual possibilidade de sabotagem por parte de algum funcionário insatisfeito, hipótese que será investigada de forma criteriosa, sem prejulgamentos ou conclusões antecipadas.

A principal preocupação é assegurar a qualidade dos produtos comercializados, a higiene, a segurança dos alimentos e o bem-estar e a confiança dos clientes, diz a nota. A defesa reafirma o compromisso com a transparência, a responsabilidade e a colaboração com a apuração, ressaltando que quaisquer conclusões deverão estar amparadas em elementos objetivos e devidamente verificados.

Assinam a nota os advogados Hoiama Homem Pareta e Ivan Pareta Júnior.

Fonte | G1
Foto | Imagem cedida/ Polícia Civil

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