Candidato afirmou que pretende eleger um aliado na presidência da Câmara para alterar o texto constitucional e redemocratizar o país, mas não detalhou as mudanças
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Goiânia nesta terça-feira (6) para receber o apoio de Ronaldo Caiado (PSD) e do governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), no segundo turno das eleições de 2026. Durante o evento, Flávio disse que quer mudar a Constituição, mas não especificou o que pretende alterar.
Flávio discursou logo após o anúncio de apoio e afirmou que pretende usar a maioria dos parlamentares na Câmara e no Senado para eleger um aliado na presidência da Câmara e, então, mudar a Constituição Federal. Com a maioria no Senado, com a maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, para gente mudar a Constituição e redemocratizar esse país, disse.
Mudanças na Constituição
A Constituição tem cláusulas pétreas, que só podem ser modificadas para ampliar direitos, nunca para restringir. É possível fazer mudanças na Constituição por meio de Propostas de Emenda à Constituição, mas elas precisam de maioria na Câmara e no Senado.
Uma PEC pode ser apresentada pelo presidente da República, por um terço dos deputados federais ou senadores, ou por mais da metade das Assembleias Legislativas dos estados. O texto precisa ser discutido e votado em dois turnos em cada casa do Congresso Nacional, e a aprovação exige o voto favorável de pelo menos três quintos dos parlamentares, o equivalente a 308 deputados e 49 senadores em ambas as casas.
A Constituição proíbe qualquer emenda que tente abolir direitos fundamentais e regras centrais do país, como a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais. Nenhuma PEC pode ser votada enquanto o país estiver sob intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio.
Votos e apoio
Durante coletiva de imprensa após a vitória de Daniel Vilela, no domingo (4), Caiado chegou a afirmar que o apoio para o segundo turno seria discutido com o presidente do partido que integra atualmente, Gilberto Kassab, do PSD.
No domingo (4), após o final da conferência das urnas eletrônicas, Flávio teve 47,03%, o equivalente a 56,1 milhões de votos, contra 45,16%, ou 53,8 milhões de votos, do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caiado ficou na quinta posição entre os candidatos à Presidência, com 2,18%, ou 2,6 milhões de votos. Os votos válidos conquistados por Caiado no primeiro turno são maiores que a diferença entre Flávio e Lula, que foi de apenas 2,3 milhões.
Fonte | G1
Foto | Reprodução/Redes Sociais