Criminosos utilizam informações de processos, prometem indenizações e tentam acessar celulares, contas bancárias e aplicativos das vítimas
A Polícia Civil investiga pelo menos cinco casos de golpes aplicados contra pessoas atendidas pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul. Os criminosos utilizam dados de processos judiciais e informações pessoais das vítimas para tornar as abordagens mais convincentes.
Em algumas situações, as vítimas são informadas sobre supostas indenizações e orientadas a fazer pagamentos para receber os valores. Em outras, os criminosos enviam links e tentam obter o controle dos celulares ou acesso a contas bancárias.
Uma mulher que buscou a Defensoria Pública para conseguir uma vaga em creche para o filho de cinco anos foi uma das vítimas. Depois de conseguir a matrícula, ela recebeu uma ligação de um homem que se identificou como defensor público e afirmou que ainda seria necessário concluir o processo.
Durante a conversa, o criminoso pediu que ela fizesse um depósito e acessasse um link enviado pelo celular. Após seguir a orientação, a vítima perdeu o controle do aparelho e teve os aplicativos bancários acessados. Ao todo, foram retirados R$ 899, quantia que representava aproximadamente um terço do salário dela e estava destinada ao pagamento da casa própria.
A Defensoria Pública afirma que seus serviços são gratuitos e que não cobra honorários ou qualquer outro tipo de pagamento dos assistidos. Segundo o assessor de segurança institucional da instituição, coronel Gilson Wagner, relatos sobre esse tipo de fraude chegam à Defensoria uma ou duas vezes por semana.
Além das abordagens por telefone e mensagens, os criminosos passaram a utilizar inteligência artificial para reproduzir a voz de defensores públicos.
Em um dos casos, um áudio atribuído ao defensor público Felipe Kirchner informava que a vítima teria direito a uma indenização superior a R$ 124 mil. Outra gravação simulava um convite para uma audiência virtual.
Kirchner afirmou que a reprodução da voz é bastante semelhante à original. Para ele, a tecnologia utilizada pelos criminosos tem tornado as fraudes mais sofisticadas, com recursos que também podem incluir vídeos e avatares em conversas online.
Segundo o analista de segurança da informação Cristiano Goulart Borges, ferramentas de inteligência artificial acessíveis e de baixo custo podem ser utilizadas para produzir esse tipo de conteúdo.
Em São Sepé, uma aposentada de 79 anos também foi alvo de uma tentativa de golpe. Ela recebeu mensagens que pareciam ter sido enviadas pela Defensoria Pública e quase forneceu acesso à conta do gov.br.
A delegada Luciane Bertoletti orienta que pedidos de dinheiro, senhas ou acesso a aplicativos sejam vistos como sinais de alerta. Em caso de suspeita, a recomendação é encerrar o contato e confirmar a informação diretamente com o órgão ou profissional responsável pelo processo.
Se a pessoa perceber que foi vítima da fraude, deve procurar uma delegacia de polícia e registrar a ocorrência.
Fonte | G1
Foto Ilustrativa