Governo americano afirma que sistema favorece o Banco Central e cria concorrência desigual, enquanto especialistas defendem os benefícios da ferramenta para consumidores e pequenos negócios
O PIX, principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros, tornou-se um dos argumentos apresentados pelo governo dos Estados Unidos para justificar a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o sistema operado pelo Banco Central criaria uma vantagem competitiva em relação às empresas privadas do setor de pagamentos.
Na avaliação do governo americano, o problema não está no uso do PIX pelos consumidores, mas no fato de o Banco Central atuar como regulador e operador da plataforma, o que, segundo os EUA, colocaria empresas privadas em desvantagem.
Especialistas ouvidos pela reportagem defendem, no entanto, que o sucesso do PIX está relacionado justamente à redução de custos, à rapidez das transações e à eliminação de intermediários, fatores que ampliaram o acesso aos pagamentos digitais no Brasil.
Importância para pequenos negócios
Lançado em novembro de 2020, o PIX passou a ser uma das principais ferramentas financeiras para pequenos empreendedores. Segundo pesquisa do Sebrae em parceria com o Ipespe, 59% dos donos de pequenos negócios utilizam o sistema como principal forma de recebimento das vendas.
O levantamento também aponta que 97% dos microempreendedores individuais utilizam o PIX como forma de pagamento. Para 28% deles, a ferramenta representa mais de 75% do faturamento, enquanto outros 20% afirmam que ela responde por cerca de metade das receitas.
Especialistas afirmam que o PIX não eliminou outros meios de pagamento, como cartões de crédito e débito, mas aumentou a concorrência e reduziu os custos das operações financeiras.
Disputa comercial
Além do PIX, o governo dos Estados Unidos cita como justificativas para o tarifaço temas relacionados ao mercado de etanol, decisões envolvendo plataformas digitais, propriedade intelectual, desmatamento e políticas comerciais brasileiras.
O governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que as medidas adotadas seguem a legislação nacional. Após o anúncio da tarifa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que o país responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Fonte | G1
Foto Ilustrativa | shutterstock