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Polícia diz que sete pacientes com câncer morreram após receberem medicamentos suspeitos de falsificação no RS

Segundo a investigação da Operação Placebo, esquema envolvia oncologista, advogados e empresário para fraudar processos de compra de remédios custeados por decisões judiciais

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul informou que sete pacientes com câncer morreram durante o tratamento após receberem medicamentos suspeitos de falsificação. A informação foi divulgada nesta terça-feira (30), durante o andamento da Operação Placebo, que investiga um esquema de fraude envolvendo a compra de medicamentos oncológicos por meio de ações judiciais.

De acordo com a investigação, ao menos 39 pacientes foram vítimas do esquema, que teria contado com a participação de um médico oncologista, advogados e um empresário. Conforme a polícia, pacientes eram orientados a solicitar na Justiça o fornecimento do medicamento Enhertu, enquanto os advogados realizavam orçamentos com empresas ligadas ao grupo investigado para direcionar a compra com recursos públicos.

As investigações começaram após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar irregularidades em embalagens do medicamento, incluindo erros de grafia e características incompatíveis com o produto original.

Na segunda-feira (29), a Operação Placebo cumpriu 57 mandados de busca e apreensão e um de prisão no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados. O empresário Lisandro Henriques Hermes foi preso e apontado pela Polícia Civil como o principal articulador do esquema. Segundo os investigadores, ele utilizava empresas de fachada e sócios para participar das concorrências judiciais.

Além do empresário, um médico oncologista e três advogados foram alvo da operação. Por decisão judicial, os profissionais tiveram o exercício de suas atividades suspenso enquanto as investigações seguem.

Durante as diligências, a polícia também apreendeu medicamentos, suplementos, documentos e bloqueou cerca de R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados.

Os investigados negam irregularidades. A defesa do médico afirmou que ele não cometeu qualquer conduta ilícita e confia no esclarecimento dos fatos. Uma das advogadas também declarou que colaborará com as investigações e reafirmou ter atuado dentro da legalidade. As defesas dos outros dois advogados não haviam se manifestado até a última atualização do caso.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que o medicamento investigado não integra a lista regular do SUS e que os casos apurados envolvem compras realizadas por meio de bloqueios judiciais, fora dos processos de aquisição da pasta. A secretaria também afirmou ter reforçado as orientações de fiscalização e controle dos medicamentos oncológicos nas unidades de saúde do estado.

Fonte | G1

Foto | Polícia Civil/Divulgação

cadupireslima

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