Leandro Soares, diretor-presidente interino, esclarece que novos equipamentos registram o consumo real, gerando queixas sobre falsos “vazamentos ocultos”. Autarquia reduziu índice de perda de água de 76% para 54% com a medida
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) tem registrado um aumento nas queixas de consumidores sobre possíveis “vazamentos ocultos” e a elevação abrupta nos valores das faturas mensais. O fenômeno, no entanto, é o resultado direto de um programa de modernização da autarquia. Em entrevista, o diretor-presidente interino do DAE, Leandro Soares, explicou que a substituição de milhares de hidrômetros antigos por aparelhos novos corrigiu distorções de leitura, fazendo com que o volume cobrado passe a refletir o consumo efetivo das residências.
O choque do consumo real
Segundo Soares, os hidrômetros antigos apresentavam desgaste e registravam um volume de água significativamente menor do que o real. Com a instalação dos novos medidores, os usuários têm notado um acréscimo que varia entre 30% e 40% no volume medido.
O diretor cita como exemplo uma residência que historicamente marcava um consumo de 9 metros cúbicos mensais e, após a troca do equipamento, passou a registrar 13 ou 14 metros cúbicos. “A pessoa já se assusta e começa a corrida atrás de algum tipo de fuga de água. E nem sempre é fuga de água”, explica.
Vazamentos ocultos e revisões de conta
A autarquia reconhece que os vazamentos invisíveis existem, mas pontua que eles ganharam maior visibilidade justamente porque os novos aparelhos são mais sensíveis. De acordo com o DAE, as solicitações de reemissão de contas ocorrem, historicamente, por três motivos principais: presença de ar na rede de distribuição, erro humano na leitura do hidrômetro ou, de fato, a ocorrência de um vazamento oculto nas instalações internas do imóvel.
Quando o equipamento passa a medir com precisão, vazamentos de dois ou três metros cúbicos, que antes passavam despercebidos pelos hidrômetros defasados, tornam-se evidentes na fatura, alertando o consumidor para a necessidade de manutenção.
Redução no índice de perdas
A política de troca de equipamentos gerou um impacto direto nos indicadores oficiais do município perante o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O DAE substituiu cerca de 2.300 hidrômetros em um período recente.
A medida, aliada a uma melhoria no sistema de cadastro da autarquia, derrubou o índice de perda de água. Soares relatou que, nos levantamentos anteriores, o município apresentava uma perda de 76%. No último censo, realizado no ano passado, o índice caiu para 54%. O cálculo de perdas engloba tanto a água que vaza fisicamente da rede quanto aquela que é consumida, mas não é faturada devido a falhas de medição. “Estou lendo melhor o que estou produzindo e o que estou faturando”, resumiu o diretor.
Transição e processos legais
Soares assumiu a gestão da autarquia de forma interina. Questionado sobre a situação da diretora anterior e o andamento de questões envolvendo o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público (MP), ele adotou um tom técnico.
O atual diretor informou que sua antecessora encontra-se afastada por licença médica e que os questionamentos dos órgãos de controle estão sendo devidamente respondidos e acompanhados pela Procuradoria do Município, a quem cabe a defesa técnica e institucional neste momento.
Impacto no Saneamento
A reestruturação do parque de hidrômetros impõe um período de adaptação para os usuários, que passam a arcar financeiramente com o volume hídrico exato que consomem. Contudo, do ponto de vista da gestão pública, a ação representa um passo necessário. A redução de 22 pontos percentuais no índice de perdas de água em um curto espaço de tempo confere ao DAE maior controle operacional, diminui o desperdício financeiro da autarquia e alinha a cidade a práticas mais eficientes de sustentabilidade e prestação do serviço de saneamento básico.