Atualização da NOAA aponta aumento significativo na probabilidade do fenômeno climático e reforça preocupação com eventos extremos no Sul do país
Uma nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno El Niño até julho de 2026, ampliando o alerta para o risco de chuvas excessivas no Rio Grande do Sul.
Segundo o relatório divulgado pela agência climática norte-americana, a chance de formação do fenômeno a partir de agosto ultrapassa 90% e se aproxima de 100% entre novembro e janeiro. A NOAA também aponta possibilidade de cerca de 40% de o evento atingir intensidade considerada “muito forte” no fim do ano.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Atualmente, segundo a agência, a temperatura do oceano está cerca de 0,5°C acima da média, completando o sexto mês consecutivo de elevação.
A meteorologista Josélia Pegorim afirma que o fenômeno de 2026 pode atingir intensidade semelhante à registrada em 2023, com impactos previstos principalmente para o inverno e a primavera.
“Historicamente o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação quando normalmente se observam eventos de chuva intensos e até extremos nesta região”, explicou.
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma catástrofe climática provocada pela combinação entre El Niño, aquecimento do Oceano Atlântico e sucessivas frentes frias, cenário que resultou em enchentes históricas no estado.
Estudo publicado em 2025 pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul analisou 45 anos de dados hidrológicos em estações de monitoramento da América do Sul e concluiu que episódios de El Niño aumentam significativamente a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho.
De acordo com a pesquisa, durante eventos do fenômeno, o risco de enchentes pode crescer em até 160%. Os pesquisadores destacam, porém, que desastres climáticos dependem de uma combinação de fatores, como intensidade das chuvas, umidade do solo e nível dos rios.
Especialistas alertam que o fenômeno atua como um amplificador das condições de risco, mas não é capaz de determinar sozinho a repetição de eventos extremos como os registrados no estado em 2024.
Desde 2006, diferentes episódios de El Niño vêm sendo associados ao aumento da ocorrência de extremos climáticos em diversas regiões do planeta, incluindo secas, enchentes e ondas de calor.
Fonte | G1
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