Exemplares enviados pelo MEC acabam em galpões de reciclagem, enquanto estudantes seguem sem livros em algumas disciplinas
Escolas públicas do Rio Grande do Sul enfrentam problemas na distribuição de livros didáticos três meses após o início do ano letivo. Enquanto algumas instituições relatam falta de materiais essenciais, outras acumulam grandes quantidades de exemplares não solicitados.
Parte dos livros, muitos ainda lacrados, acaba sendo encaminhada para reciclagem e transformada em papel higiênico, situação que reacende discussões sobre desperdício de recursos públicos e falhas na gestão da distribuição.
Em Capão da Canoa, no Litoral Norte, escolas relatam excesso de materiais armazenados em corredores, bibliotecas e ginásios. Funcionários afirmam que novas remessas continuam chegando mesmo sem espaço disponível para armazenamento.
O problema já havia sido denunciado em 2019, quando uma reportagem mostrou livros novos sendo triturados para reciclagem. Segundo empresários do setor, a situação continua ocorrendo.
Em Montenegro, pacotes lacrados de livros didáticos seguem armazenados em galpões de reciclagem. Conforme relato de recicladores, muitas escolas mantêm os materiais até o vencimento e depois vendem os exemplares para ajudar em despesas internas.
Enquanto isso, escolas da mesma cidade enfrentam falta de livros em disciplinas como Química, Física e Biologia. Diretores afirmam que a ausência do material prejudica o aprendizado e aumenta gastos com cópias para os alunos.
O Ministério da Educação informou que a distribuição dos livros do Programa Nacional do Livro e do Material Didático é baseada nas escolhas das escolas e nos dados do Censo Escolar. O MEC e o FNDE afirmam ainda que utilizam estudos técnicos e inteligência artificial para reduzir desperdícios e melhorar as estimativas de envio.
Já a Controladoria Geral da União informou que realiza auditorias desde 2019 para avaliar a implementação do programa em municípios brasileiros.
Fonte | G1
Foto | Rperodução/RBS