Criança recebeu superdosagem de metadona no Hospital de Clínicas e permanece internada desde maio
A Polícia Civil indiciou uma técnica em enfermagem por ter aplicado uma superdosagem de medicamento que deixou um bebê de 1 ano e 2 meses em coma em um hospital de Porto Alegre. O caso ocorreu em maio deste ano, e a criança permanece em coma desde então. O nome do paciente e da família não foi divulgado.
Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, a profissional de 29 anos foi indiciada por administração culposa de droga e lesão corporal culposa, por negligência no preparo e aplicação do medicamento.
“Conforme documentação hospitalar e laudo pericial do Instituto Geral de Perícias, a prescrição médica foi correta, e o erro ocorreu na administração feita pela técnica de enfermagem”, afirmou a delegada.
O bebê estava internado no Hospital de Clínicas para duas cirurgias relacionadas a problemas no sistema digestivo. Dois dias após os procedimentos, em 7 de maio, ele foi transferido da UTI para a enfermaria pediátrica, quando recebeu a dose incorreta.
A investigação aponta que o médico prescreveu 0,1 miligrama de metadona, analgésico usado para dor intensa, a cada seis horas. No entanto, foram aplicados cerca de 0,8 miligrama, quase dez vezes mais que o recomendado.
Logo após receber a medicação, a mãe percebeu que o bebê estava roxo e sem respirar. A criança ficou cerca de oito minutos sem resposta até ser reanimada e precisou ser entubada.
“Foi ministrada metadona em quantidade superior à prescrita, causando parada cardiorrespiratória e resultando em estado comatoso decorrente de danos neurológicos”, explicou a delegada.
O Hospital de Clínicas informou que deve se manifestar sobre o caso ainda nesta sexta-feira.
Estado de saúde
De acordo com a tia do bebê, ele segue internado, estável, mas permanece em coma. Segundo ela, houve momentos de piora, mas o menino respira sem auxílio de tubo.
A família registrou o caso na ouvidoria do hospital. Em reunião com parentes, a equipe médica reconheceu prejuízo na função cerebral da criança em decorrência da superdosagem, conforme relato da mãe.
Fonte | G1
Foto | Gustavo Diehl/Secom/UFRGS