Investigação do Ministério Público uruguaio resultou no decomisso total dos valores, após os suspeitos não comparecerem à Justiça
A Fiscalia Especializada de Lavado de Activos do Uruguai, liderada por Enrique Rodríguez, decomisou US$ 1,8 milhão após apurar que os filhos de uma psicóloga brasileira desviaram e se apropriaram do patrimônio herdado por uma paciente.
Segundo o Ministério Público, a vítima havia recebido um importante montante após a morte do marido. A psicóloga soube da situação e ofereceu que seu filho administrasse os recursos, alegando proteger os interesses da paciente, que estava em condição de vulnerabilidade. O filho então orientou a transferência do dinheiro ao Brasil, sob o argumento de mantê-lo “em resguardo”.
Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, foram realizadas três transferências, somando US$ 1.800.985, de uma conta corporativa para a conta pessoal da administradora da sociedade. Em novembro de 2021 houve outro movimento de US$ 10.000, restando apenas US$ 1.606 na conta da vítima. Com o valor apropriado, ela adquiriu ativos financeiros no total de US$ 1.600.048.
A investigação também identificou transferências para dois estrangeiros que figuravam como titulares de diversas sociedades do tipo SAS no Uruguai. Ambos alegaram não ter participação na gestão das empresas, reforçando a suspeita de que atuavam como testaferros. Registros fiscais mostraram ausência de atividade econômica nas empresas. Contadores que constituíram as sociedades confirmaram que os supostos titulares foram indicados pelos investigados e pagos para aparecer formalmente, ocultando os verdadeiros beneficiários.
Em outubro de 2024, foi decretada a detenção dos dois principais suspeitos. Como não compareceram dentro do prazo legal de seis meses, foi aplicado o decomisso de pleno direito, transferindo todos os valores e ativos à Junta Nacional de Drogas.
Mesmo sem condenados, o Ministério Público classificou o resultado como um marco histórico por recuperar integralmente o montante desviado.
Fonte | Montevideo Portal