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PF prende ex-presidente do INSS em nova fase de operação que investiga desvios bilionários em aposentadorias

Ação cumpre mandados em 15 estados e no Distrito Federal; ex-dirigentes e empresários são investigados por fraudes que podem ter causado prejuízo de até R$ 6,3 bilhões

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a quarta fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os presos estão o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, e o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho.

Ao todo, nove dos dez alvos de mandados de prisão já foram localizados. Um dos investigados, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, ainda não foi encontrado.

A Justiça também expediu novo mandado contra Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central no esquema. Ele já havia sido preso em setembro, durante outra fase da operação.

Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o grupo teria realizado descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O prejuízo estimado chega a R$ 6,3 bilhões.

Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em 15 estados e no Distrito Federal. Os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação de bens.

O esquema envolvia a cobrança de mensalidades associativas sem autorização dos beneficiários. Os descontos eram feitos como se os aposentados tivessem se associado a entidades que ofereciam serviços jurídicos e benefícios diversos, mas que, segundo as investigações, não existiam de fato.

Com a descoberta das fraudes, o governo federal iniciou a devolução dos valores descontados de forma indevida. Mais de seis milhões de beneficiários afirmaram não reconhecer as cobranças, e cerca de 4,8 milhões estão aptos a receber o reembolso.

Os pedidos de devolução podem ser feitos até 14 de fevereiro de 2026, pelos canais oficiais: aplicativo ou site Meu INSS, Central 135 e agências dos Correios.

A defesa de Alessandro Stefanutto afirmou que ainda não teve acesso à decisão judicial e classificou a prisão como ilegal, alegando que o ex-presidente do INSS tem colaborado com as investigações. Já os advogados de Antônio Camilo e Virgílio de Oliveira disseram que não irão se manifestar.

Fonte | G1

Foto | Jefferson Rudy/Agência Senado

cadupireslima

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