Dados do censo apontam que 7,7% da população do departamento tem alguma deficiência; acesso à educação e ao trabalho são principais desafios
O departamento de Rivera tem o maior percentual de pessoas com deficiência (PCDs) em todo o Uruguai, com 7,7% de sua população. O dado, extraído do censo nacional e divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (Mides), coloca a região fronteiriça acima da média nacional de 6,6% e de outros departamentos como Rocha (7,4%) e Artigas (7,2%).
A informação foi apresentada por Federico Lezama, diretor nacional de Deficiência do Mides, que destacou que os números revelam um profundo “abismo social” e uma “injustiça” que o governo busca reverter. Segundo ele, o desafio não está na falta de legislação, mas na aplicação prática das leis existentes.
“Em matéria de deficiência, muitas leis foram votadas ao longo dos anos, mas a tradução dessas leis em ações concretas não teve o impacto esperado”, afirmou Lezama durante uma coletiva de imprensa.
Um dos indicadores mais alarmantes dessa desigualdade, segundo o diretor, está no acesso à educação. Em Rivera, 9% da população com deficiência nunca frequentou o sistema de ensino formal. Em comparação, entre as pessoas sem deficiência no mesmo departamento, esse índice é de apenas 3%. A diferença de três vezes, para Lezama, ajuda a explicar as barreiras posteriores para a inserção social e, principalmente, laboral.
Apesar do cenário desafiador, o diretor do Mides aponta para o potencial econômico local como uma via para a inclusão. “Há oportunidades de trabalho aqui, setores de atividade vinculados ao comércio e ao turismo que podem ser fatores de emprego para pessoas com deficiência”, indicou.
O ministério pretende usar os dados para orientar ações e políticas públicas nos próximos anos, com o objetivo de “superar essa brecha”. Questionado sobre o prazo para a implementação das medidas, Lezama reconheceu a urgência da população. “Temos cinco anos para governar e precisamos fazer o que nos corresponde para aplicar as políticas. O resultado se verá em campo”, concluiu.
