Para autoridade, 95% dos cães envolvidos em acidentes têm tutor; sanções financeiras e responsabilidade legal são apontadas como solução
A responsabilização civil e penal de proprietários de animais é a chave para solucionar o problema crônico de cães e gatos soltos nas ruas de Rivera, na fronteira com Sant’Ana do Livramento. A avaliação é do chefe da Polícia de Rivera, Germán Suárez, que defende a aplicação de sanções exemplares como forma de gerar conscientização.
A declaração foi dada após uma reunião com a presidência do Instituto Nacional de Bem-Estar Animal (INBA) do Uruguai. Segundo Suárez, o debate sobre o tema precisa evoluir para ações concretas, pois o diagnóstico já é conhecido. “É preciso deixar de tanta reunião e dar uma resposta de verdade. Disso, já estamos falando há muito tempo”, afirmou.
Para o chefe de polícia, a responsabilidade pelo grande número de animais nas ruas, que causam acidentes de trânsito e ataques a pessoas, recai diretamente sobre os tutores. “Oitenta e cinco por cento dos cães que protagonizam um acidente de trânsito, ou que infelizmente o provocam, ou que mordem uma pessoa, têm um dono ou uma dona por trás”, declarou Suárez. “Somos nós os responsáveis, não são eles os culpados”.
Suárez destacou uma particularidade de Rivera em comparação a outras localidades: o elevado número de gatos abandonados, que, segundo sua percepção, pode superar o de cães. Ele ressaltou que a situação exige uma abordagem que combine empatia, compromisso e atitude.
Como caminho para uma solução mais eficaz e imediata, o policial propõe medidas que impactem diretamente os infratores. “Parece que, para tomar consciência, existe uma espécie de ‘Wi-Fi’ entre o bolso e a cabeça”, metaforizou, ao defender a aplicação de multas e outras penalidades financeiras.
Embora reconheça a importância de programas de castração e de educação para a guarda responsável, o chefe de polícia acredita que a demora nos resultados exige a adoção de medidas mais enérgicas. Ele defende a responsabilização legal, tanto na esfera cível quanto na penal, para quem permite que seus animais fiquem soltos em vias públicas.
A autoridade policial lembrou de casos graves para ilustrar a dimensão do problema, como um ataque que deixou um policial seriamente ferido anos atrás, alterando permanentemente sua vida. “Neste ano, já tivemos 75 ataques e mordidas em pessoas”, pontuou. A implementação de sanções exemplares, segundo ele, seria a forma mais rápida de fazer com que os proprietários assumam seu papel e evitem que seus animais representem um risco para a comunidade.