Ação da PF mira grupo que movimentou milhões com empresas de fachada e transações ilegais entre Brasil e Uruguai
Uma operação de grande porte da Polícia Federal foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) em Santana do Livramento, na fronteira com Rivera (Uruguai), para desarticular um esquema sofisticado de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas.
As diligências incluíram cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens, entre eles um veículo de luxo avaliado em aproximadamente R$ 900 mil. Segundo informações oficiais, cerca de R$ 48 milhões foram bloqueados pela Justiça.
Esquema milionário
De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram em 2021, revelando a atuação de um grupo criminoso que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos por meio de operações fracionadas. Entre 2018 e 2022, a organização movimentou valores milionários incompatíveis com as atividades declaradas.
Em um caso identificado, uma empresa recebeu R$ 682 mil em um único dia, oriundos de duas empresas também consideradas fictícias e relacionadas ao tráfico internacional de drogas. Parte das transações era feita em espécie ou por meio de instituições financeiras na fronteira, dificultando a identificação da origem dos valores.
Cooperação internacional
As ações ocorreram em endereços residenciais e comerciais de Santana do Livramento e Rivera, reforçando a dimensão transnacional da operação. A PF destacou que a prática de movimentações irregulares entre os dois países é um modus operandi comum em esquemas dessa natureza.
Origem e continuidade
A operação é considerada uma continuidade da Operação Asari, deflagrada em 2021 para combater redes de câmbio paralelo na região. A Polícia Federal investiga a ligação deste grupo com organizações criminosas de maior porte, incluindo associações voltadas ao tráfico internacional de entorpecentes.
Medidas punitivas e investigações
Foram apreendidos documentos fiscais, anotações, computadores e celulares, materiais que devem subsidiar a continuidade das apurações. Segundo o delegado responsável, a meta é desmantelar completamente a estrutura criminosa e evitar novas movimentações ilegais, consideradas uma ameaça ao sistema financeiro e à ordem pública.
“A ação reforça a importância da cooperação internacional e do trabalho integrado para enfrentar crimes que afetam diretamente a segurança econômica e a integridade das fronteiras”, destacou a Polícia Federal em nota oficial.
As investigações seguem em sigilo, e novas fases da operação não estão descartadas.