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Recorde de temperatura em Quaraí: O Rio Grande do Sul alcança máxima histórica de 43,8°C

Onda de calor atinge o estado gaúcho, superando recordes de temperatura e trazendo à tona discussões sobre os extremos climáticos no RS

A intensa onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul pode ter reescrito a história climática do estado nesta terça-feira (04). Oito meses após a maior enchente já registrada no estado, o Rio Grande do Sul alcançou a maior temperatura oficialmente medida desde o início das medições, em 1910, segundo os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), responsável pelas medições oficiais.

A medição, assumindo-se que os dados do órgão federal estejam corretos, apesar de algumas discrepâncias com outras estações meteorológicas próximas à fronteira, seria extraordinária. Isso porque, desde que as medições regulares começaram com a instalação de estações meteorológicas no estado entre 1910 e 1912, nunca se observou uma temperatura tão alta, com picos em torno dos 43°C.

A temperatura máxima preliminar registrada hoje pelo INMET foi de 43,8°C em Quaraí, estabelecendo um novo recorde absoluto de temperatura máxima no estado. Este valor superaria os recordes anteriores: 42,9°C em Uruguaiana em 27 de fevereiro de 2022; 42,6°C em Alegrete em 19 de janeiro de 1917 e em Jaguarão em 1º de janeiro de 1943; e 42,5°C em Quaraí em 3 de fevereiro de 2025.

Caso a medição seja confirmada pelo INMET após um controle de qualidade dos dados, o recorde de hoje não apenas será o mais alto já registrado, mas também estabeleceria dois novos marcos: a maior temperatura oficial já registrada no verão e o novo recorde para o mês de fevereiro, superando os 42,9°C de Uruguaiana em fevereiro de 2022. Vale notar que os recordes de 1917 e 1943, com 42,6°C, perduraram por várias décadas, mais precisamente 79 anos, até serem superados em 2022. Apenas três anos depois, a marca de 2022 pode ser ultrapassada.

É importante contextualizar que a estação meteorológica em que se registrou o recorde de hoje não existia nas ondas de calor de 1917 e 1943, tendo iniciado suas operações em 16 de outubro de 2007. Uruguaiana, localizada na mesma região, registrou temperaturas máximas mais altas em 1943, assim como em 2022, durante outras ondas de calor.

A onda de calor atual está longe de ser a pior da história gaúcha

Apesar do recorde de temperatura máxima registrado hoje, a onda de calor atual no Rio Grande do Sul está longe de ser uma das mais intensas da história do estado. Os episódios de janeiro de 1943, que ainda detém o recorde de máxima em Porto Alegre (40,7°C), e o de janeiro de 2022 foram muito mais intensos.

Na onda de calor de janeiro de 2022, a rede do INMET registrou 13 dias consecutivos com máximas superiores a 40°C, incluindo 41,5°C em Quaraí no dia 12, 41,7°C (recorde absoluto de 110 anos) em Bagé no dia 13 e 42,1°C em Uruguaiana no dia 20, entre outras marcas extremas. Esse evento resultou em 15 dias consecutivos de temperaturas acima de 40°C em várias cidades do estado, um feito inédito desde o início das medições meteorológicas regulares em 1910.

A onda de calor de 1917

Em 1917, quando uma intensa onda de calor afetou o Rio Grande do Sul, o jornal “A Federação”, um dos principais da época, relatou as altas temperaturas em Alegrete. Em janeiro de 1917, a cidade registrou 42,5°C, um valor excepcional, e o calor extremo causou insolação e até mortes. A seca severa que afetava a região nesse período também contribuiu para o cenário de calor insuportável, conforme relatado por publicações da época.

Calor de janeiro de 1943

Em 1943, o Rio Grande do Sul também enfrentou uma grave estiagem. No mesmo dia em que Jaguarão registrou 42,6°C, Porto Alegre alcançou uma máxima de 40,7°C, que permanece até hoje como recorde oficial de temperatura na capital. Naquele período, a Segunda Guerra Mundial estava em curso, e o intenso calor foi pouco comentado pelos jornais, que estavam mais focados nos acontecimentos internacionais. No entanto, o calor extremo foi tema de conversas e causou grande desconforto na população.

Fonte| METSUL
Foto| PAULO ORTIZ | NNTV

Micheli das Neves

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