Tribunal pretende aprofundar estudos para entender o fenômeno. Canoas, com 31,83% no primeiro turno, recebeu atenção especial
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) mostra preocupação com o elevado número de abstenção em algumas cidades do Rio Grande do Sul. O TRE trabalha para reduzir os números. Com o maior índice da Região Metropolitana, Canoas recebeu atenção especial entre o primeiro e o segundo turno.
Foi constatado que na cidade muitos eleitores não foram às urnas devido à falta de documentação, perdida durante a enchente de maio. Uma ação foi realizada junto com a Secretaria de Segurança para acelerar o processo de confecção para que possam votar no domingo (27). A entrega dos documentos está programada para ocorrer a partir de terça-feira (22).
A abstenção no terceiro maior colégio eleitoral do Estado ficou em 31,83% — atrás apenas de Uruguaiana (33,79%), Santana do Livramento (33,08%), Itaqui (32,71%). Em Porto Alegre, o índice foi de 31,51%, o mais alto entre as capitais brasileiras.
Para o presidente do TRE-RS, Voltaire de Lima Moraes, os danos da enchente não são os únicos motivos para a ausência de tantos eleitores nas urnas. Levantamento da entidade apontou que cidades atingidas pela chuva tiveram abstenção menor do que em 2016, já que nas eleições de 2020 o número de votantes foi influenciado pela pandemia.
Moraes elencou possíveis razões.
— Talvez, em uma projeção preliminar, há pessoas que migraram (depois da enchente) para outras cidades, outros Estados. Talvez haja desinteresse ou que estejam mais preocupados em reconstruir suas vidas — explanou.
A longo prazo, o TRE-RS trabalha para diminuir o índice de abstenção. No ano que vem está programado um evento de três dias para debater o tema. Serão convidados para analisar a situação profissionais de diferentes áreas, como cientistas políticos, sociólogos, políticos e outros setores da sociedade.
Texto: GZH