Inundação pegou a população de surpresa, atingindo novamente regiões já afetadas e chegando a outras que não tinham enfrentado alagamentos.
Imagem da Avenida Sertório, na Região Norte de Porto Alegre — Foto: Pietro Oliveira/RBS TV
A água que jorrou dos bueiros de diferentes ruas de Porto Alegre, alagando bairros inteiros na quinta-feira (23), recuou nas últimas horas. A inundação que pegou a população de surpresa exigiu resgates, bloqueou vias e causou prejuízos – de novo (veja, abaixo, a explicação da prefeitura para as causas da inundação).
A prefeitura da Capital confirma que houve problemas nas zonas Central, Norte e Sul, em bairros como Centro Histórico, Menino Deus, Cidade Baixa, Praia de Belas, Ipanema, Cavalhada, São Geraldo, Moradas da Hípica, Santa Fé e Restinga – as áreas afetadas ainda estão sendo contabilizadas.
Rua Dorival Castilhos Machado, no bairro Hípica — Foto: Guilherme Milman/GZH
Na Região Sul da Capital, nos bairros Cavalhada e Hípica, que não registraram alagamentos durante a última enchente, o Corpo de Bombeiros usou botes para tirar de casa pessoas que ficaram ilhadas.
No Centro, os bairros Menino Deus, Praia de Belas e Cidade Baixa voltaram a inundar. Imóveis que foram limpos voltaram a ficar cheios de água.
No Norte, no bairro Sarandi, um pedaço da Avenida Sarandi e do talude de contenção do Arroio das Pedras cederam – a região não havia alagado na última enchente.

Avenida Sarandi após asfalto ceder durante enchente em Porto Alegre — Foto: RBS TV/Reprodução
O motivo dos alagamentos
O diretor do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) de Porto Alegre, Maurício Loss, alega que os alagamentos aconteceram porque houve muita chuva em pouco tempo e as galerias para escoamento da água estão entupidas por causa do barro e do lixo acumulados após a cheia do Guaíba. Ele nega que tenha acontecido um “colapso” no sistema de drenagem da cidade.
“As redes de drenagem também estão bem assoreadas (com acúmulo de sedimentos, como terra e areia). [Além disso], todos os arroios que desembocam no Guaíba não estão conseguindo ter vazão em razão da elevação do nível. Isso prejudica o escoamento da água das chuvas e alguns bairros da Zona Sul que não estavam alagados tiveram problemas com a chuva”, diz Loss.
Segundo Loss, equipes do Dmae trabalham com caminhões-jato para fazer a limpeza dos locais atingidos e facilitar a drenagem da água acumulada na cidade.
Outro problema apontado por Loss são as restrições no funcionamento de casas de bombeamento – apenas 10 das 23 estações estão funcionando. Elas são responsáveis por jogar a água que está dentro da cidade de volta para o Guaíba. As restrições ocorrem porque são elétricas e, se inundarem, podem colocar em risco a segurança da população.
Rua Canela, no bairro Cavalhada, tomada de areia após enchentes — Foto: Guilherme Milman/GZH
Chuva em Porto Alegre
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o volume de chuva em 15 horas ultrapassou os 100 milímetros na Zona Sul da capital. Nunca choveu tanto em Porto Alegre como em maio de 2024
- Jardim Botânico (Leste): 108,8 milímetros
- Bairro Cristal (Sul): 108 milímetros
- Bairro Partenon (Leste): 95,1 milímetros
- Bairro Belém Velho (Sul): 75 milímetros
- Bairro Serraria (Sul): 68,9 milímetros
Maio de 2024 está sendo o maio mais chuvoso da história de Porto Alegre e também o mês mais chuvoso na Capital desde 1916.
Maiores volumes de chuva mensais já registrados em Porto Alegre (1916 a 2024)
- 477,2 mm maio 2024 (medição provisória até às 22h de 23/5/24)
- 447,3 mm setembro 2023
- 405,5 mm maio 1941
- 403,6 mm junho 1944
- 386,6 mm abril 1941
- 365,6 mm junho 1982
Créditos: G1 e GZH

