Equipes enfrentam dificuldades para localizar sobreviventes após tremor de magnitude 7,4 que deixou 240 mortos e mais de 1.300 feridos
Socorristas e voluntários seguem nas buscas por sobreviventes após o pior terremoto registrado neste século na Colômbia. Até esta terça feira (11), o desastre havia deixado 240 mortos, mais de 1.300 feridos e dezenas de edificações destruídas.
As principais cidades do oeste do país, Cali, Pereira, Manizales e Quibdó, registram cenas de destruição mais de 24 horas após o terremoto de magnitude 7,4, ocorrido na segunda feira, às 7h34, 9h34 no horário de Brasília.
Em Pereira, uma das cidades mais atingidas, pelo menos 72 pessoas morreram, segundo o prefeito. A cidade, localizada no Eixo Cafeeiro e com mais de 480 mil habitantes, ficou quase totalmente sem energia elétrica. Moradores também enfrentam dificuldades de conexão com a internet e participam das buscas por pessoas desaparecidas.
Durante a noite, muitos moradores dormiram nas calçadas por medo de novas ocorrências ou porque suas casas apresentavam rachaduras. Stella Galvis, uma contadora que conseguiu escapar com o marido e o filho de um prédio de quatro andares que desabou, relatou à AFP que perdeu tudo.
O terremoto lembra a tragédia registrada em 1999, quando um forte tremor deixou quase 1.200 mortos na região cafeeira. O epicentro do terremoto desta semana foi localizado próximo a San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre e de difícil acesso devido aos danos nas estradas, segundo a Cruz Vermelha Internacional.
O presidente Abelardo de la Espriella decretou estado de emergência e anunciou uma operação de resgate coordenada. Durante uma visita a Pereira nesta terça feira, informou a suspensão da cobrança de serviços públicos por três meses e programas para subsidiar o aluguel de pessoas que perderam suas casas.
O papa Leão XIV declarou estar profundamente entristecido pela tragédia e afirmou que reza pelas vítimas. O secretário geral da ONU, António Guterres, também manifestou solidariedade ao povo e ao governo da Colômbia e afirmou que a organização apoia a resposta conduzida pelo governo.
Em Cali, a terceira maior cidade do país, o prefeito Alejandro Eder decretou toque de recolher durante a noite. Segundo a prefeitura, 95 pessoas morreram na cidade, que concentra o maior número de vítimas até o momento.
Socorristas trabalham entre os escombros dos edifícios destruídos, utilizando picaretas e ferramentas básicas. As equipes também fazem momentos de silêncio para tentar identificar sinais de pessoas que possam estar presas.
A Organização Mundial da Saúde informou que várias unidades hospitalares de Cali foram danificadas. A Clínica Nuestra foi evacuada e alguns pacientes receberam atendimento nas calçadas. As escolas públicas permaneceram fechadas nesta terça e quarta feira.
No departamento de Chocó, a governadora Nubia Carolina Córdoba informou que pelo menos 14 pessoas morreram, a maioria em Quibdó.
Apoio internacional
O terremoto afetou a infraestrutura de seis aeroportos, sendo que dois permaneciam fechados nesta terça feira. Os Estados Unidos ofereceram US$ 15,5 milhões em ajuda para atender à emergência.
A União Europeia disponibilizou seu serviço de satélites Copernicus para auxiliar nas operações de resgate. Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram ajuda.
O terremoto foi sentido ainda no Equador, Panamá e Venezuela.
Fonte | Correio do Povo
Foto | Getty Images/Reprodução