Procedimento foi realizado após decisão judicial que reconheceu cumprimento dos critérios legais
A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu nesta quinta-feira após passar por um procedimento de eutanásia autorizado pela Justiça. Dias antes, ela concedeu uma entrevista a uma emissora de TV na qual falou sobre sua decisão e o sofrimento que enfrentava.
Na conversa, a jovem afirmou que desejava interromper o sofrimento físico e emocional e relatou dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, incluindo dores constantes, problemas para dormir e falta de disposição para atividades do dia a dia.
Noelia também mencionou conflitos familiares em relação à decisão. Segundo ela, parte da família era contrária ao procedimento, enquanto a jovem defendia o direito de escolher o próprio destino.
De acordo com o relato, ela convivia desde a adolescência com transtornos psiquiátricos e enfrentou episódios traumáticos, além de internações. Após uma tentativa de suicídio, sofreu uma lesão na medula que resultou em paraplegia, passando a depender de cadeira de rodas e a conviver com dor crônica.
O procedimento foi realizado após um processo que durou cerca de 601 dias, com avaliações médicas e disputas judiciais. O caso foi analisado por uma comissão independente, que concluiu que a jovem atendia aos critérios previstos na legislação espanhola.
Antes da autorização, o pai tentou impedir a realização da eutanásia, alegando que a filha não teria condições psicológicas para tomar a decisão. A contestação foi analisada em diferentes instâncias judiciais, que mantiveram o entendimento favorável ao procedimento.
Segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola, os laudos apontaram quadro clínico irreversível, com sofrimento contínuo e limitações funcionais, condições exigidas pela lei do país para a realização da eutanásia.
Fonte | G1
Foto | Reprodução