Movimentação ocorre após anúncio da operação Lança do Sul, que amplia pressão militar do governo Trump sobre o regime de Nicolás Maduro
A Marinha dos Estados Unidos divulgou na noite de quinta-feira (13) as primeiras imagens do grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford após sua chegada à região do mar do Caribe. As fotos foram divulgadas em meio ao aumento das tensões entre o governo Donald Trump e o regime venezuelano de Nicolás Maduro.
As imagens mostram o porta-aviões navegando em formação com os destróieres USS Winston Churchill, USS Mahan e USS Bainbridge, além de aeronaves sobrevoando os navios, entre elas jatos de ataque e um bombardeiro B-52 Stratofortress. O USS Gerald Ford chegou à América Latina na terça-feira.
O governo Trump mantém uma campanha de pressão contra Maduro, a quem acusa de liderar o Cartel de Los Soles. A Casa Branca afirma que a operação tem como alvo o narcotráfico na América Latina. Na quinta-feira, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou o início da operação Lança do Sul, o que intensificou temores de ações militares diretas contra a Venezuela.
A divulgação das imagens ocorreu no mesmo dia em que foram feitas, algo incomum em operações militares. A localização exata do grupo de ataque não foi informada, mas o Comando Sul dos EUA confirma atuação na área próxima à América Latina. Dois aviões C-2A Greyhound ligados ao porta-aviões foram detectados em Porto Rico na quinta-feira.
Segundo a imprensa americana, um ataque direto ao território venezuelano depende apenas de uma justificativa jurídica. O presidente Trump recebeu opções militares para eventuais ações no país, de acordo com a CBS News.
O envio do grupo de ataque do USS Gerald Ford, que reúne três destróieres e cerca de 90 aeronaves, é interpretado como um aumento significativo da pressão militar dos EUA sobre Maduro. A frota se soma à presença já ampliada de navios de guerra, jatos F-35, helicópteros de operações especiais e bombardeiros no Caribe. Maduro acusa os Estados Unidos de buscarem tirá-lo do poder.
As tensões se intensificaram desde agosto, quando o governo Trump classificou cartéis de drogas latino-americanos como organizações terroristas e anunciou operações contra eles. O governo americano elevou para US$ 50 milhões a recompensa pela captura de Maduro e admitiu ter autorizado operações secretas da CIA na Venezuela.
A imprensa dos EUA informou que o governo Trump avaliou bombardear alvos militares venezuelanos sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas, embora Trump tenha negado planos de ataque. Especialistas afirmam que o interesse estratégico dos EUA envolve pressões para retirar Maduro do poder e acessar recursos energéticos venezuelanos.
Diante da escalada, o governo da Venezuela solicitou apoio de Rússia e China. Segundo o jornal The Washington Post, a Rússia se declarou pronta para auxiliar Caracas, embora sem detalhar como isso ocorreria.
Fonte | G1
Foto | Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos