Político é investigado por ligação com facção criminosa e suspeita de compra de votos nas eleições de 2024
A Polícia Federal indiciou nesta semana o ex-vereador de São Borja, Celso Andrade Lopes (PDT), por falsidade ideológica e fraude processual. A investigação aponta que o político forjou provas e mentiu à Justiça Eleitoral ao negar participação em uma festa de familiares de um suposto chefe de facção criminosa da Fronteira Oeste. O evento teria ocorrido durante sua campanha à reeleição em 2024, na qual ele acabou como suplente.
Segundo a PF, Lopes teria participado da festa e tentado encobrir sua presença por meio de uma declaração falsa, registrada em cartório, assinada por uma testemunha que depois admitiu ter sido convencida pelo advogado do ex-vereador, Guilherme Demoro, a colaborar com a versão inverídica. Vídeos recuperados pelos investigadores mostram Lopes no local, inclusive em conversa com essa mesma testemunha, que depois voltou atrás em depoimento.
Além de Lopes e da testemunha, o advogado também foi indiciado. Os três devem responder por falsidade ideológica e fraude processual. O inquérito relacionado aos supostos vínculos com o crime organizado ainda está em andamento.
Suspeita de apoio de facção em campanha
Desde outubro, o Ministério Público e a Polícia Federal investigam suposta interferência de uma facção criminosa nas eleições municipais de São Borja. A apuração aponta que a campanha de Lopes teria recebido apoio financeiro e material do grupo, além da distribuição de benefícios como cestas básicas, dinheiro, próteses dentárias e material de construção em troca de votos.
O Ministério Público move uma ação por abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio. A Promotoria também pediu a cassação da diplomação de Lopes como suplente e a decretação de sua inelegibilidade por oito anos, além de multa. A Justiça Eleitoral ainda não decidiu sobre o caso.
Defesa
Até o momento, Celso Lopes não se pronunciou sobre o indiciamento. Em declarações anteriores, quando questionado sobre as acusações de compra de votos, afirmou apenas que seguiria a orientação de seus advogados e preferia não se manifestar.
Já o advogado Guilherme Demoro, em depoimento no inquérito, disse ter acreditado que a imagem usada na investigação não retratava seu cliente. Por isso, procurou a testemunha para confirmar essa versão em cartório. Ele negou saber que Lopes estivesse presente na festa.
Fonte | GZH
Foto | Polícia Federal / Divulgação