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Deportação de Brasileiros dos EUA: Relatos de abusos e condições desumanas em retorno ao Brasil

Após o primeiro voo de deportados sob o governo Trump, passageiros relatam agressões, uso de algemas e condições precárias no avião. Governo brasileiro exige explicações sobre o tratamento indigno

Os primeiros brasileiros deportados dos Estados Unidos após a posse de Donald Trump como presidente desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite do último sábado (25).

Relatos da experiência de retorno são dramáticos, destacando a agressividade dos agentes de imigração, as condições desumanas durante o processo de deportação e até problemas com o avião.

No desembarque em Manaus, imagens mostraram brasileiros algemados pelos agentes de imigração dos Estados Unidos. Segundo a Polícia Federal, o uso de algemas e correntes é um procedimento padrão da imigração americana durante os voos com deportados. Este foi o primeiro voo com deportados para o Brasil no governo de Donald Trump, mas o segundo de 2025.

🔎 Segundo a Polícia Federal, o uso de algemas em imigrantes é uma praxe em voos fretados dos EUA para repatriação. No entanto, elas são retiradas ao pousar no Brasil, pois os deportados não são prisioneiros. No voo com escala em Manaus, houve um desentendimento com a tripulação devido ao calor, o que levou os deportados a abrir uma porta de emergência e desembarcar por uma ponte inflável ainda algemados. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ordenou a retirada das correntes e solicitou que os deportados fossem levados a Belo Horizonte em um voo da FAB. O Itamaraty declarou que cobrará os EUA pelo tratamento “degradante”.

A previsão inicial era de que os 88 deportados chegassem a Confins na noite de sexta-feira (24), mas a aeronave vinda dos EUA fez uma escala em Manaus devido a problemas no ar-condicionado. Quatro pessoas, que seguiriam para Rondônia e Roraima, decidiram desembarcar em Manaus.

Esses voos fazem parte de um acordo bilateral sobre deportação assinado entre os Estados Unidos e o Brasil em 2018, que continua em vigor. O objetivo, segundo o Itamaraty, é reduzir o tempo de permanência de brasileiros presos por imigração irregular em centros de detenção nos EUA.

Sandra Pereira de Souza, de 36 anos, seu marido Alisdete Gonçalves dos Santos, de 49, e seus dois filhos pequenos estavam entre os passageiros. Ela relatou que a viagem foi uma experiência de “tortura” desde a saída da Louisiana. “O avião parecia ter algum problema. Sentimos que fomos tratados de maneira desumana, com muito medo de que algo acontecesse”, disse Sandra.

Ela afirmou que foi uma armadilha: saíram de casa acreditando que iriam a uma reunião com a imigração, mas acabaram deportados, levando apenas o que podiam carregar, sem tempo sequer para pegar uma fralda para o filho.

Apesar de imigrarem ilegalmente, Sandra e Alisdete estavam cumprindo todas as obrigações com a imigração americana desde que chegaram aos Estados Unidos, há três anos e meio. Eles deixaram para trás uma empresa, uma casa e um carro.

Agressões, ameaças e uso de algemas

No desembarque em Manaus, imagens mostraram brasileiros algemados pelos agentes da imigração dos Estados Unidos. Durante o voo de Manaus para Belo Horizonte, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou a retirada das algemas e pediu um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para garantir que os deportados completassem a viagem com dignidade e segurança.

Carlos Vinícius de Jesus, de 29 anos, contou que ele e outros passageiros foram agredidos e ameaçados. “Foi terrível, vim preso nos braços, nas pernas e na cintura, eles não respeitaram a gente. Bateram em nós e disseram que iam deixar o avião cair, afirmando que o nosso governo não valia nada”, relatou Carlos.

Carlos, natural de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, havia tentado imigrar ilegalmente pelo México em 2023. Ele foi preso e estava detido desde então. Ele gastou cerca de 30 mil dólares para tentar migrar, mas agora diz estar aliviado por finalmente estar em seu próprio país.

Vários homens brasileiros que estavam no voo relataram agressões físicas durante todo o trajeto, incluindo empurrões, tapas e murros, sendo que apenas mulheres, crianças e pais com filhos pequenos foram poupados.

Condições do avião

Durante o trajeto dos Estados Unidos para o Brasil, o avião fez uma parada no Panamá devido a problemas técnicos. Mesmo assim, a tripulação decidiu seguir viagem sem trocar de aeronave. “O avião estava em condições precárias, teve que viajar com um mecânico a bordo. O avião não queria funcionar”, contou Kaleb Barbosa, de 28 anos, que havia migrado para os Estados Unidos há seis anos.

Kaleb relatou que, durante a deportação, enfrentou momentos que jamais pretende reviver. “O momento mais difícil foi quando o ar-condicionado quebrou no voo, as pessoas começaram a passar mal, alguns desmaiaram e as crianças choravam. As turbinas estavam parando. Foi desesperador, parecia cena de filme”, disse.

Após o pouso em Manaus, Kaleb contou que as turbinas do avião soltaram fumaça enquanto tentavam continuar a viagem para Belo Horizonte. As saídas de emergência foram abertas e ele pediu socorro. Segundo ele, se não fosse a intervenção do governo brasileiro e a mudança para um avião da FAB, todos poderiam ter morrido.

Chegada ao Brasil

O voo da Força Aérea Brasileira (FAB) com os primeiros brasileiros deportados dos Estados Unidos após a posse de Donald Trump pousou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, por volta das 21h do sábado (25).

Passageiros do voo relataram agressões pelos agentes da imigração dos Estados Unidos, e imagens mostraram que estavam algemados e acorrentados ao desembarcar em Manaus.

Inicialmente, o governo norte-americano planejava enviar outro avião para transportar o grupo do Amazonas até Minas Gerais, mas o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, solicitou o uso de um avião da FAB. Ele orientou a Polícia Federal a recepcionar os brasileiros, que chegaram ao país algemados, e determinou a retirada imediata das algemas.

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, esteve no terminal de Confins para receber os deportados. Ela afirmou que as denúncias dos passageiros eram “muito graves” e uma violação dos direitos humanos. “Estamos acolhendo prioritariamente as famílias com crianças pequenas. A maioria já sabe como retornar, mas temos uma equipe de apoio pronta para ajudar”, disse Evaristo.

Ela também anunciou a criação de um posto de atendimento humanitário no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, caso haja um aumento no número de deportados.

Reação do governo brasileiro

O Ministério das Relações Exteriores, em nota divulgada no domingo (26), afirmou que “reuniu informações detalhadas sobre o tratamento degradante dispensado aos brasileiros, incluindo o uso de algemas nos pés e nas mãos” durante o voo de repatriação. O Itamaraty destacou que o uso indiscriminado de algemas e correntes viola os termos do acordo com os Estados Unidos, que prevê um tratamento digno e respeitoso aos repatriados.

O governo brasileiro considerou inaceitável que as condições acordadas com o governo norte-americano não tenham sido respeitadas e informou que irá solicitar esclarecimentos sobre o ocorrido.

Créditos | G1

Micheli das Neves

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