No Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, e em um asilo da cidade, neurologistas estão utilizando uma tecnologia inovadora para diagnosticar casos de demência que podem ser revertidos. Um sensor acoplado a uma tiara de borracha monitora a pressão intracraniana e envia, em tempo real, dados para um tablet ou smartphone, permitindo a detecção precoce de condições como a hidrocefalia de pressão normal (HPN), popularmente conhecida como “demência reversível”.
Essa técnica é uma revolução no diagnóstico, já que oferece um método mais simples e menos invasivo do que os tradicionais, que exigem intervenções cirúrgicas complexas. O equipamento captura mínimas variações no volume craniano, proporcionadas pelos batimentos cardíacos, permitindo aos médicos identificar alterações no cérebro antes que se tornem irreversíveis.
A HPN, que pode causar sintomas como confusão mental, perda de memória, desequilíbrio ao caminhar e incontinência urinária, é uma condição que, se detectada precocemente, pode ser tratada com medicamentos ou por drenagem do líquido acumulado em cirurgia. De acordo com Carla Rynkowski, médica intensivista e neurossonologista, a tecnologia tem mostrado ser eficaz na identificação desses casos, com uma estimativa de 20% das demências podendo ser reversíveis.
O uso do sensor tem sido fundamental, inclusive, para pacientes com trauma craniano, que podem desenvolver inchaço cerebral. No Hospital Cristo Redentor, que atende a população gratuitamente pelo SUS, o equipamento já monitora cerca de 70% dos pacientes na UTI, auxiliando médicos a tomarem decisões clínicas ou cirúrgicas mais precisas.
“É uma tecnologia simples e barata, que não visa o lucro, mas sim o acesso rápido para quem mais precisa”, explica Carlos Bremer, cofundador da Brain4care, a startup responsável pela criação do sistema. A tecnologia tem a promessa de ser expandida para outras instituições públicas, por meio do Ministério da Saúde, levando inovação e cuidado de qualidade a mais pacientes.
Fonte | G1 RS