As ruas de Porto Alegre ganharam uma nova ferramenta de transparência e segurança desde 30 de setembro: as câmeras corporais, acopladas à farda dos agentes da Brigada Militar (BM). A implantação gradativa desses dispositivos, que começou com 300 câmeras na região central da cidade, já alcançou diferentes áreas da capital, com previsão para que o processo seja concluído até a primeira quinzena de dezembro. Ao todo, 780 das 1.000 câmeras previstas para a BM estão em uso, com novas unidades sendo distribuídas para os batalhões das zonas Norte e Sul da cidade.
A introdução das câmeras faz parte de uma série de ações da Brigada Militar para aprimorar a segurança pública e a relação da corporação com a população. Segundo o comandante-geral da BM, coronel Cláudio dos Santos Feoli, o uso das câmeras gerou inicialmente certa desconfiança entre os policiais, mas hoje é visto como uma ferramenta positiva tanto para a tropa quanto para a comunidade. “As câmeras, em um primeiro momento, foram recebidas com desconfiança pela tropa. Fizemos campanhas de sensibilização, explicando que seria uma ferramenta para ajudar no trabalho e hoje a visão deles mudou”, afirmou Feoli.
Além de melhorar a percepção dos cidadãos sobre os agentes, as câmeras também desempenham um papel crucial no registro das ocorrências policiais. Em dois meses de operação, a Brigada Militar já contabilizou mais de 240 mil gravações, sendo 14 mil delas referentes a ocorrências policiais, que são registradas de forma intencional a partir do acionamento de um botão na parte superior do dispositivo. Contudo, a corporação ainda não categorizou essas ocorrências, limitando-se ao registro de boletins de atendimento e termos circunstanciados.
Para compartilhar com a população a rotina dos agentes, a BM lançou o programa Visão da Tropa – A Realidade das Ruas, um videocast que apresenta episódios gravados pelas câmeras corporais em abordagens policiais realizadas em diferentes regiões de Porto Alegre. Com episódios publicados a cada 10 dias no canal oficial da BM no YouTube, o programa visa aproximar a sociedade do trabalho realizado pela corporação.
A utilização das câmeras também busca reforçar a transparência nas ações da polícia. As imagens de rotina são armazenadas na nuvem por 90 dias, enquanto as gravações feitas durante ocorrências ficam armazenadas por um ano. O acesso às imagens é restrito e só pode ser feito por órgãos como o Poder Judiciário, o Ministério Público, as corregedorias e as polícias Civil e Federal, garantindo a integridade dos registros.
Apesar da implementação da tecnologia ainda estar em fase de expansão, as câmeras corporais já demonstram seu potencial para melhorar tanto a segurança pública quanto a confiança da comunidade na atuação da Brigada Militar.
Fonte | GZH