A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta sexta-feira (29), a Operação Queda Livre, uma ofensiva contra lideranças e executores de homicídios cometidos por uma facção criminosa que atua em Porto Alegre e na Região Metropolitana. A ação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), tem como principal alvo Rafael Telles da Silva, 36 anos, conhecido como “Sapo”, apontado como um dos líderes da organização.
Cumprindo pena na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) 3, “Sapo” foi transferido na última quinta-feira (28) para o sistema penitenciário federal. Ele é acusado de comandar, em setembro de 2023, o assassinato de um rival no bairro Cascata, zona sul de Porto Alegre, ordenado por videochamada. Além disso, “Sapo” é investigado por seu envolvimento na execução de Jackson Peixoto Rodrigues, o “Nego Jackson”, ocorrida dentro de uma cela da Pecan 3.
“Nego Jackson”, morto por integrantes de uma facção rival, era um dos líderes mais temidos do crime organizado no estado. Com uma extensa ficha criminal, ele esteve ligado a pelo menos 29 homicídios e liderava um dos maiores grupos criminosos de Porto Alegre.
A Operação Queda Livre visa atingir tanto as lideranças quanto os executores da facção. Foram emitidos 13 mandados de prisão preventiva e 19 de busca e apreensão, com ações realizadas em Porto Alegre, Canoas e Gramado Xavier, no Vale do Rio Pardo. Até as 8h25min desta sexta, 11 pessoas haviam sido presas.
Além de identificar “Sapo” como mandante, a investigação revelou um esquema logístico sofisticado. Em setembro, após o assassinato de um homem no bairro Cascata, policiais apreenderam quatro pistolas 9 mm com numeração raspada, o veículo usado no crime e localizaram uma casa alugada para planejamento do ataque. O motorista do carro foi preso em flagrante no mesmo dia.
O diretor do DHPP, delegado Mário Souza, destacou que a operação marca o início de uma série de ações destinadas a conter os homicídios relacionados ao crime organizado.
“Estamos adotando um protocolo rigoroso contra esses grupos criminosos. Não apenas os executores, mas também as lideranças serão alcançadas e responsabilizadas. Essa ofensiva é uma resposta direta à morte ocorrida dentro do sistema prisional.”
O delegado Gabriel Borges, titular da 1ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, reforçou a postura da instituição:
“Não serão tolerados crimes graves como os investigados nesta ação. Todos os recursos disponíveis serão empregados para identificar, capturar e responsabilizar os envolvidos, principalmente os líderes que ordenam as execuções.”
A rivalidade entre facções intensificou a violência dentro e fora dos presídios. A execução de “Nego Jackson” foi um divisor de águas para as forças de segurança, que passaram a adotar medidas mais rígidas, incluindo transferências de líderes para penitenciárias federais e ações integradas entre a Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Penal.
A morte de “Nego Jackson” representou uma tentativa de desestabilizar sua facção, conhecida por arregimentar outros grupos menores para dominar territórios estratégicos. As investigações indicam que a ordem de sua execução partiu de “Sapo” e Luis Felipe de Jesus Brum, 21 anos, outro membro da facção rival.
A Operação Queda Livre é apenas o início de uma ofensiva mais ampla contra o crime organizado no estado. O objetivo das autoridades é desarticular a estrutura hierárquica das facções, atingindo diretamente os líderes que comandam execuções e coordenam atividades ilícitas de dentro das prisões.
Fonte | GZH
Foto | Ronaldo Bernardi | Agencia RBS